Conversa com Educadores

O educador português José Pacheco tem empreendido uma cruzada aqui no Brasil para redirecionar para a sociedade várias das funções educativas que andam inflando a escola além do suportável. É preciso identificar, fortalecer e ligar as instituições educativas não escolares para que estas consigam exercer um papel suplementar ao da escola e, assim, possamos caminhar em direção a um modelo de sociedade educativa. O ESTUDODEBOM nasce com esse espírito. Ao se apresentar como um instituto destinado a aprofundar as questões do estudar e do pesquisar pretende contribuir para uma soma de esforços que dê conta da complexa e enorme tarefa de educar as jovens gerações.

Nossa proposta de trabalho apoia-se em certos pilares educativos que fornecem as fundações conceituais que nos alimentam. O primeiro desses pilares é a abordagem do processo de aprender, descobrir e estudar pela vertente da fruição. O prazer advindo de tais processos é um prazer muito especial e bem diferente da satisfação imediata que o desfrutar de um filme ou de um chocolate pode nos trazer. O aprender e o descobrir que emergem do estudar remetem a um processo de conquistas que – como em qualquer conquista – se faz à custa de muito esforço, o que vai combinando aflições, frustrações e, também, é claro, inúmeros deleites. No final da jornada, o inebriante prazer da suada vitória!

Nem de propósito, esse é o mesmo processo da leitura, inegável parceiro do estudar, cujo prazer Ana Maria Machado igualmente adjetiva como “difícil”, mas, por isso mesmo, muito mais profundo e duradouro. Nessa mesma linha, Gaston Bachelard, nos idos de 1934, saiu-se com uma frase que caminha deliciosamente na contramão de certas concepções contemporâneas de lazer: “é preciso substituir o aborrecimento de viver pela alegria de pensar” – “e de aprender, descobrir e estudar”, acrescentaríamos nós, do ESTUDODEBOM.

A flexibilidade é outra marca do nosso trabalho e é fundamental para podermos dar conta da diversidade, isto é, das diferenças individuais que, graças às conquistas humanas do nosso tempo, estão podendo emergir e ser acolhidas em várias esferas da vida. No que diz respeito ao aprender que resulta do estudar, são incrivelmente variáveis os recursos e as maneiras de transformar informações em conhecimento, fruto, como indica Alicia Fernández, da modalidade de aprendizagem que cada pessoa desenvolve. Assim únicos em nosso percurso pelas sendas do aprender, cada um de nós vai, com autoria, tecendo a própria história. No ESTUDODEBOM, acolhemos e valorizamos o que cada um traz na sua bagagem do aprender e o ajudamos a ampliar seu acervo e sua experiência como autor das próprias aprendizagens.

A flexibilidade se materializa em diversos dispositivos no ESTUDODEBOM, tais como o uso do espaço, a escolha do que se deseja estudar e as maneiras de fazê-lo, o tempo e ritmo de estudo, a linguagem de expressão das próprias aprendizagens e as tecnologias utilizadas.

Falando em tecnologia, optamos por utilizar softwares gratuitos porque apoiamos a democratização do acesso às melhorias da vida cotidiana e cidadã proporcionada pelos avanços da tecnologia.

Por fim, faltava criar um espaço que potencializasse tudo isso. Antonio Nóvoa alerta para a necessidade de educadores e profissionais da imagem e do espaço dialogarem para conceber espaços que contribuam para o vicejar dos novos conceitos educativos. Atendendo à sua recomendação, fomos à cata de designers que estivessem com a mesma ideia em mente e encontramos a Habto, empresa de design de produtos. Nossa encomenda para eles foi que projetassem um espaço com objetos e elementos especificamente pensados para criar as condições mais favoráveis para que o adolescente de 11 a 15 anos de idade se sentisse convidado e estimulado a empreender suas próprias navegações pelo fascinante mundo do aprender que emerge do estudar. Confira aqui as fotos do ambiente.

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